UM OLHAR DOS (DES)ENCONTROS NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES QUE ENSINAM MATEMÁTICA REFLEXÕES ÉTICAS

Ana Duarte Castillo, Maria dos Remédios De Brito

Resumo


Nunca se escreveu tanto sobre Educação, sobre métodos, sobre objetivos educacionais, e sobre formação de professores, neste caso na área da matemática, como neste momento. Mas, no caso da ética, assumida como uma forma de relação com eu e com o outro, não existe atenção dos Educadores Matemáticos, isto se mostra na pouca pesquisa sobre a temática. Este artigo foca-se em explorar a formação de professores que vão ensinar matemática considerando o “Cuidado de si”, como uma prática ética, presente na antiguidade, em particular na cultura grega. Este conceito é resgatado na obra de Michael Foucault, em particular, no curso de 1982, onde há, pelo menos, três ideias fundamentais deste conceito. A fundamentação teórica principal são os estudos do pensador, filósofo francês, Foucault. Na primeira parte iniciamos com um percurso onde se faz um esboço sobre a formação de professores que ensinam matemática e a negação da responsabilidade social que tem a matemática. Na segunda parte faremos uma descrição histórico-política do papel da ética na educação matemática. E finalmente, a partir de exercícios filosóficos em um curso de licenciatura integrada da Universidade Federal do Pará, apresentaremos um exemplo, proveniente da escrita de si, de uma professora em formação, que irá ensinar matemática. A partir deste exemplo extraem-se reflexões que permitem explicitar as relações entre a ética- matemática e ética- formação de professores.


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DOI: https://doi.org/10.34112/1980-9026a2021n44p35-47

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