COMO INSTAURAR PARA SI UMA BUFONA-CIBORGUE-BIXA?

Matheus Silva

Resumo


O presente artigo tem o interesse em traçar uma cartografia que visa engendrar os dispositivos teóricos do processo de criação performativa da ação que realizo enquanto performer, “O corpo desembestado de AdivinhaaDiva”, que ocupa distintos espaços arquitetônicos explorando as fronteiras entre filosofia e arte da performance. Tal investigação almeja configurar a noção de “corpo desembestado”,  a partir do cruzamento dos estudos dos conceitos filosóficos de “movimentos aberrantes”, de David Lapoujade e “desrazão”, de Peter Pál Pelbart, “Inquietude de si”, de Cassiano Sydow Quilici; “instauração”, comentado por Peter Pál Pelbart, “devir-animal” e “esgotamento”, de Gilles Deleuze e Félix Guattari, para compreender o processo de fazer existir uma “bufona-ciborgue-bixa”; bufona, conforme Joaquim Elias, o ciborgue e a “bixa”, de acordo com Donna Haraway, Paul B. Preciado e Paco Vidarte. Trata-se de diagramar os dispositivos teórico-práticos do processo de criação performática que experimento para configurar a noção de “corpo desembestado”, explanando sobre sua potência de instaurar uma existência “bufona-ciborgue-bixa”, capaz de gerar acontecimentos artísticos aqui, ali, em qualquer lugar.

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DOI: https://doi.org/10.34112/1980-9026a2021n44p181-193

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