Lúdico na escola: parte da solução ou parte do problema?
Resumo
O objetivo do presente artigo é realizar um “sobrevoo” (na acepção de Deleuze e Guattari) acerca do lúdico na escola, no contexto brasileiro. Parte-se do pressuposto de que a inserção de um discurso sobre o lúdico na escola é uma “tradição inventada”. A partir dos ideais escolanovistas, no Brasil, tivemos a sistematização de uma corrente pedagógica que assumiu o lúdico como recurso de ensino que atendia aos interesses das crianças. Destarte, a concepção de que o lúdico é pedagógico (tradição inventada) deu esteio à produção de dois movimentos discursivos na escola, a saber: a pedagogização do lúdico; e a psicologização do lúdico. A função desse artigo é precisamente denunciar esses dois movimentos, que pouco contribuem para uma possibilidade de se construir contextos com o lúdico na escola.
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